Sabem, existe uma meia dúzia de músicas que me deixa intrigado! Mas não é um simples pomba!, é realmente ficar intrigado; no mesmo dia ouvir 5 ou 10 vezes a música, depois ficar horas e horas pensando e mesmo assim não se dar por satisfeito.
Percebi esta reação pela primeira vez ouvindo “Os Silêncios das Janelas do Povoado” do Gujo Teixeira e Luiz Marenco. Já faz tempo, mas ainda hoje basta ouvir a “deixa” da gaita que fico intrigado.
Muitas vezes me pergunto as mesmas coisas: O que será que motivou aqueles homens? Vingança? Lavar a honra? Crime de guerra?
Era um fim de dia quieto
Para quem quisesse ouvi-lo
Apesar do céu sangrando
Alguns mateavam tranquilos.
Foi quando cascos nas pedras
E constâncias de esporas
Quebraram o calmo das casas
Chamando olhares pra fora.Iam adentrando o povoado
Quatro homens bem montados
Três baios de cabos-negros
Bem à direita um gateado.
Ponchos negros sobre os ombros,
Chapéus batidos na face
Silhuetas desconhecidas
Pra qualquer um que olhasse.Traziam vozes de mandos
Nas suas bocas cerradas
E aparecendo nos ponchos
Pontas de adagas afiadas.
Olhavam sempre por perto
Até mirarem um “ranchito”
E sofrenarem os cavalo
Onde um apeou solito.Primeiro um rangido fraco
Depois um grito “prendido”
E a intenção da adaga
Tinha mostrado sentido.
E os quatro em seus silêncios
Voltaram no mesmo tranco
Deixando junto a soleira
Vermelho num lenço branco.Era mais um que ficava
Depois que os quatro partiam
Por certo em baixo dos ponchos
Algum mandado traziam.
Traziam fios de adagas
E silêncios pra entregar…
-era um gateado e três baios
Foi o que deu pra enchergar!!Ninguém sabe, ninguém viu
Notícias viram depois.
Alguém firmava na adaga
Só não se sabe quem foi.
E o povoado segue o mesmo
Dormindo sempre mais cedo
Dormem ouvindo o silêncio
E silenciam por medo!
Minha idéia era de comentar alguns trechos, mas fica para próxima…