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Digamos que é algo mais do que uma simples tosquia de uma ovelha. Xucrismo puro o bagual com o cachimbo na boca enquanto segue na lida carneando a rês.

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Valhe a pena conferir o albúm Fazendo do Paulo Casagrande.

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Virando do meio dia
Quando o sol esquenta o chão
Putcha! é preciso garrão
Pra aguentar-se o tipiti
E os verdes campos sem fim
Doem nas vistas como não

Se o serviço da uma folga
Muito bem que se sesteia
Mas se não com a lua cheia
Também se agüenta o serviço
E a indiada, amigos, com isso
Nem tropica ou balanceia

Para contextualizar estas duas estrofes recorre ao livro “Campeirismo Gaúcho: Orientações Práticas” de Cyro Dutra Ferreira.

O Capataz deverá constantemente avaliar e obedecer, a medida do possível, a disposição dos animais, pois uma tropa forçada a caminhar em situações adversas (ameaça de tormenta, calores sobre-naturais, excesso de distância percorrida por dia, fome, sede, etc.) será uma tropa prejudicada, causando prejuízos ao seu proprietário.

O gado por si só acusa os seus desejos. Por exemplo: a hora em que mais gosta de caminhar é ao clarear do dia, os Tropeiros, pois, ainda de madrugada, devem tomar apenas uns mates e em seguida devem largar a tropa na estrada. Lá pelas 8 ou 9 horas, quando o gado começa a diminuir o ritmo da marcha, procurando algum pasto para comer, é o momento dos tropeiros pararem para tomar o café, quando o gado também aproveitará para comer. Após algum tempo, em torno de uma hora, o gado começará a movimentar-se lentamente, indicando a hora de reinício da viagem. Lá pelas 11 horas acontecerá o mesmo fenômeno. Enfim, se um Capataz novato nessa lida, tiver perspicácia de interpretar a vontade do gado, e obedecê-la, é certo que sua chegará no destino nas melhores condições possíveis.

Desta forma, além de estarem sujeitos às vontades do gado os tropeiros também estão sujeitos ao sol do meio-dia, que por vezes castiga até mesmo na sombra. Por isso só com muito garrão para aguentar o TIPITI, que significa apuro, aperto, embaraço, negócio do qual é difícil sair com vantagem…

Imagino os peões, que segundo Cyro Dutra Ferreira devem conduzir o gado por 30 / 35 km dia, já fadigados pelo sol a pino, olhando para o horizonte e percebendo o trecho que falta percorrer para chegar até o próximo pouso. Talvez por isto que os verdes campos façam os olhos doer, porque ainda há muito chão pela frente.

Os peões estão sujeitos às vontades do gado, que além de determinar o ritmo e os horários da tropeada também assusta-se facilmente. Jamais os tropeiros podem deixar o gado sozinho ou descuidar-se dele. A ameaça de um estouro está sempre presente… Desta forma, nem sempre é possível sestear. E quando acontece isto o jeito é dormir bem durante a noite para aguentar o tirão do trabalho do próximo dia.

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Por essa eu não esperava! Mas como tudo acabou se convergindo para isto, principalmente porque o show foi transferido para a noite, não deu notra: fui na expointer ver o Leonel Gomez.

De quebra ainda consegui trocar umas palavras com o homem e até tirar uma foto antes do show. Apesar de que a foto não valeu de nada!

Expointer - Leonel Gomez 2

Álcool Gel, Leonel Gomez, Thiago Bohn

Expointer 2009 - Leonel Gomez cantando El Bocal

El Bocal, dessa eu tenho em vídeo

Um baita show de um baita músico. Esse ano já foi Luiz Marenco e Leonel Gomez… Acho que agora fica faltando César Oliveira & Rogério Melo. Quem sabe na super terça.

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Super Terça

A Super Terça será realizada dia 27 de outubro, na sociedade Gaúcha de Lomba Grande. A festa será em homenagem aos 40 anos de carreira de Os Monarcas. Nos dois galpões, além de Os Monarcas, estarão Chiquito & Bordoneio, João Luiz Corrêa, César Oliveira & Rogério Melo. Uma instituição carente será beneficiada com parte da renda a ser arrecada no dia do evento.

Notícia retirada do ABC do Gaúcho, Jornal NH 03 de setembro.

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E dando continuidade…

E relinchando a tropilha
Que já descamba na lomba
Se atira empina e se assombra
Honra e glória do ginete
Que tem por sestro o cacoete
De ir espiando a própria sombra

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Tropilha é um bando de cavalo do mesmo pêlo que a égua madrinha. Descambar é descer. O resto dá para imaginar ou ver na imagem.

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Hoje pela manhã ouvi esta música e não tive como não ir em busca da letra e compartilhar com meus colegas do trabalho. Trata-se de Flor Colorada, interpretada pelo Luiz Marenco no CD Pra o Meu Consumo.

No meu penúltimo post estava determinado a fazer comentários sobre Os Silêncios das Janelas do Povoado, “traduzir” alguns pedaços e compartilhar meus devaneios. Mas quando vi que seria um trabalho muito longo acabei deixando pela metade.

Desta vez não vou assumir uma missão maior que a minha disponibilidade de tempo. Vou fazer estrofe a estrofe e ver se chego até o final. Bom, vamos lá então…

Mal vai o céu pelechando
Com o vir das barras do dia
E o capataz assovia
Ao que ainda a cuia não solta
E o flete percura a volta
Galvoso da companhia

Primeiramente pelechando vem do espanhol e quer dizer trocando de pêlo. Alguns animais costumam trocar de pêlos ao atingir a idade adulta, outros ao entrar no verão e outros na mão do homem. Em alguns casos além da troca de pêlos ocorre também a troca na coloração do animal. Sendo assim, se o céu estava pelechando, acredito eu, que deixava de ser noite e céu começava mudar de cor.

As barras do dia, por sua vez, referem-se a aurora, ao despontar do sol. Isto explica o porquê do céu estar pelechando.

Pelo visto era bem cedito. Mas não importa porque capaz é chefe e não gosta de corpo mole. Percebe um peão se demorando mais do que deve no chimarrão e já assovia chamando o companheiro para lida.

Bom, agora complicou, flete é um cavalo bom e bonito, mas galvoso fico devendo… Assim que eu descobrir dou continuação.

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Sabem, existe uma meia dúzia de músicas que me deixa intrigado! Mas não é um simples pomba!, é realmente ficar intrigado; no mesmo dia ouvir 5 ou 10 vezes a música, depois ficar horas e horas pensando e mesmo assim não se dar por satisfeito.

Percebi esta reação pela primeira vez ouvindo “Os Silêncios das Janelas do Povoado” do Gujo Teixeira e Luiz Marenco. Já faz tempo, mas ainda hoje basta ouvir a “deixa” da gaita que fico intrigado.

Muitas vezes me pergunto as mesmas coisas: O que será que motivou aqueles homens? Vingança? Lavar a honra? Crime de guerra?

Era um fim de dia quieto
Para quem quisesse ouvi-lo
Apesar do céu sangrando
Alguns mateavam tranquilos.
Foi quando cascos nas pedras
E constâncias de esporas
Quebraram o calmo das casas
Chamando olhares pra fora.

Iam adentrando o povoado
Quatro homens bem montados
Três baios de cabos-negros
Bem à direita um gateado.
Ponchos negros sobre os ombros,
Chapéus batidos na face
Silhuetas desconhecidas
Pra qualquer um que olhasse.

Traziam vozes de mandos
Nas suas bocas cerradas
E aparecendo nos ponchos
Pontas de adagas afiadas.
Olhavam sempre por perto
Até mirarem um “ranchito”
E sofrenarem os cavalo
Onde um apeou solito.

Primeiro um rangido fraco
Depois um grito “prendido”
E a intenção da adaga
Tinha mostrado sentido.
E os quatro em seus silêncios
Voltaram no mesmo tranco
Deixando junto a soleira
Vermelho num lenço branco.

Era mais um que ficava
Depois que os quatro partiam
Por certo em baixo dos ponchos
Algum mandado traziam.
Traziam fios de adagas
E silêncios pra entregar…
-era um gateado e três baios
Foi o que deu pra enchergar!!

Ninguém sabe, ninguém viu
Notícias viram depois.
Alguém firmava na adaga
Só não se sabe quem foi.
E o povoado segue o mesmo
Dormindo sempre mais cedo
Dormem ouvindo o silêncio
E silenciam por medo!

Minha idéia era de comentar alguns trechos, mas fica para próxima…

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La siesta

Foto de Eduardo Amorim.

Sabe como se joga o jogo do osso?

Ansim: Escolhe-se um chão parelho, nem duro, que faz saltar, nem mole, que acama, nem areento, que enterra o osso.

É sobre o firme macio, que convém. A cancha com uma braça de largura, chega, e três de comprimento; no meio bota-se uma raia de piola, amarrada em duas estaquinhas ou mesmo um risco no chão, serve; de cada cabeça da cancha é que o jogador atira, sobre a raia do centro: este atira daqui pra lá, o outro atira de lá pra cá.

O osso é a taba, que é o osso do garrão da rês vacum. O jogo é só de culo ou suerte.

Culo é quando a taba cai com o lado arredondado pra baixo: quem atira assim perde logo a parada. Suerte é quando o lado chato fica embaixo: ganha logo e sempre.

Quer dizer: quem atira culo perde, se é suerte ganha e logo arrasta a parada.

Ao lado da raia do meio fica o coimeiro que é o sujeito depositário da parada e que a entrega logo ao ganhador. O coimeiro também é que tira o barato — para o pulpeiro. Quase sempre é algum aldragante velho e sem-vergonha, dizedor de graças.

O texto a cima foi retirado do conto O Jogo do Osso de Simões Lopes Neto, no qual Osoro e Chico Ruivo jogam uma mulher num tira de taba. Este texto foi meu ponto de partida na busca de entender melhor como se joga o osso. Mas na verdade mesmo, esta busca começou quando ouvi uma sequência de músicas criada por um chegado lá da empresa.

A Tava

A tava, ou também taba, é um osso  retirado do garrão da rês vacum (gado). Para preparar uma boa tava, recomenda-se, logo após sua extração do jarrete do animal abatido, enterrá-la por cerca de dois a três meses em terreno nem muito seco, nem muito úmido para “curar o osso”. É comum também, colocar o astrágalo na boca de um formigueiro de campo, para que elas façam limpeza do osso.

Arremosso da tava

Arremosso da tava

Cada jogador fica em uma das pontas da quadra, que segundo a descrição do conto de Simões Lopes neto é retangular e possui 2,20 metros (1 braça) por 6,60 metros (3 braças). Ambos arremessam o osso em  direção ao centro da quadra, e conforme a posição que a posição que tava cai são determinados os vencedores.

Capa do DVD

Capa do DVD

É preciso que haja uma “diferença de 2 pontos”, isto é,  que um jogador obtenha culo (perde) e o outro jogador surte (ganha). Caso ambos consigam surte, joga-se novamente até a diferença ocorra. Existem outras posições como güesos, que são nulos e que combinados a surte ou culo do adversário “somam 1 ponto”. Quando isso ocorre, joga-se novamente o osso para “completar os 2 pontos”.

Não verdade não há contagens de pontos, há sim um combinação bastante variada de jogadas que determinam o resultado das partidas. Utilizei a notação ponto apenas para tornar mais fácil a explicação. No final deste artigo há uma série de referências, caso alguém deseje conhecer o jogo em detalhes.

O Coimeiro

O Coimeiro está para o jogo do osso, assim como croupier está para o poker. É ele quem explora o jogo, cobra e troca as fichas, recolhe a comissão para o dono da parada, julga as jogadas, …

Curta Gaúcho

O vídeo abaixo é parte da série da RBS Contos Gauchescos sobre a vida e obra de João Simões Lopes Neto. O vídeo abaixo está completo, mas quem não estiver com tempo para assistir a todo ele pode conferir alguns pedaços do filme no youtube. Mas já vou avisando que é muito melhor esperar um pouco e assistir o vídeo completo.

Pois olha, eras isto! Espero que tenha sido interessante e que não tenha falado muitas bobagens. Caso seja preciso corrigir ou melhorar algo, deixa teu comentário.

Um quebra costelas!

Referências:

  • Jogo do Osso – Página do Gaúcho
  • Pesquisa Jogo do Osso ou Tava – Chasque Pampeano
  • Contos Gauchescos, de Simões Lopes Neto – UFPEL
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